MEHER BABA—THE COMPASSIONATE ONE! — Portuguese Translation

ÍNDICE:

Prefácio: Um convite………..7

PARTE I:
Uma curta introdução à vida e ao trabalho do Avatar Meher Baba….9

Posfácio: E depois?………….49

PARTE II:
Mensagens e palestras do Avatar Meher Baba..53
A Mensagem Universal…..55
O Avatar…57
A Nova Humanidade……64
O Começo e o Fim da Criação…..74
A Vida do Espírito….87
Amor……95
A Labuta da Nova Ordem Mundial…..105
As Doze Maneiras de Me Conhecer…109
Eu Sou a Canção…111
O Mergulhador de Pérolas…113
O Maior dos Maiores…..115
O Chamado do Meher Baba….123
As Sete Realidades…128
A Prece Universal…130
Como Amar a Deus….132
Para Maiores Informações….133

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Prefácio: Um Convite

Originalmente, escrevi o resumo da biografia, a qual constitui a primeira parte deste livro, no começo dos anos 70, o qual seria publicado como um artigo na revista “Life”. Eu havia retornado recentemente da Índia, onde conheci Meher Baba pessoalmente, e onde Suas mensagens sobre as diferenças entre a experiência com as drogas psicodélicas e a experiência do misticismo verdadeiro estavam provocando interesse em praticamente todos os cantos, nas cidades universitárias, na rádio, na televisão e na mídia gráfica, naquela época. A vida, entretanto, tem mente própria e “Life” fechou as suas portas duas semanas após o artigo ter sido submetido.
Por fim, o suposto artigo virou um panfleto introdutório, entitulado “Meher Baba, o Pai Compassivo”, o qual foi distribuído, durante anos, através da “ Meher Baba Information” enviados de graça à todos que indagassem sobre o mais recente Advento do Deus-Homem, de todas as partes do mundo. Então, muitos anos depois, em 1987, o texto foi revisado e publicado novamente como um novo livreto introdutório e, depois, publicado como um livro, com a adição de várias
mensagens-chaves, palestras e fotografias, para suplementar o resumo biográfico.
E com um novo título: “Meher Baba, o Compassivo”, o qual me pareceu mais verdadeiro e mais apropriado para expressar o sentido mais profundo por trás do nome dado ao Avatar desta Era, nos remetendo de volta ao epíteto “O Iluminado”, do Buda e perdendo a tradução mais simplista da palavra universal ”Baba” no vernáculo Indiano.
Por vários motivos, somente poucas cópias do novo livro e do livreto chegaram até a Índia. Esta nova impressão atual na Índia, com algumas revisões do texto anterior, foi designada para corrigir aquela omissão e, de novo, fornecer

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alguma informação, que introduza o atual Avatar, em ambos os formatos, em livro e em livreto. Devido à sua extrema brevidade, vejo este livro mais como um “convite” “para conhecer Meher Baba”, do que qualquer outra coisa a mais; um pequeno resumo de Sua vida, Seu trabalho e suas mensagens. Por sua própria natureza, um convite é um sinal de algo por vir, um ingresso de admissão a algum evento ou atividade. Do mesmo modo, este livro serve para convidá-los a “encontrarem-se” com Meher Baba e terem um antegosto do que está por vir: a chance de aprender sobre a vida e o trabalho do Cristo desta Era e de descobrir Sua presença viva e eterna dentro do coração ardente.

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Parte I

Uma introdução à vida e ao trabalho do Avatar Meher Baba

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Maestria em servitude 10

Meher Baba significa “O Compassivo”, nome que o grupo dos primeiros discípulos escolheram para o seu Mestre, quando, no começo dos anos 20, os sinais de Seu singular estado espiritual ficaram aparentes. Tentar descrever brevemente a vida de Meher Baba cria um notável, embora enigmático, mini-resumo. De um lado, milhares de pessoas representando cada uma das principais tradições religiosas O reconhecem como “Deus na forma humana”, o Cristo, o Profeta, o Salvador, o Messias, o Avatar desta Era. De outro lado, na maior parte de Sua vida, enquanto mantinha silêncio por 44 anos, desde 1925 até deixar Seu corpo físico em 1969, Meher Baba executou todas as suas muitas e variadas atividades enquanto treinava seus discípulos; ou enquanto trabalhava para elevar os leprosos e os pobres, fornecendo escolas e cuidados médicos de graça, para os necessitados dos vilarejos; ou enquanto dava instruçōes espirituais aos estudantes na Sua escola especial, chamada “Prem (Amor) Ashram”; enquanto trabalhava intensamente com os “Masts”, que eram pessoas que viviam intoxicadas espiritualmente (a quem Meher Baba descrevia como os verdadeiros amantes de Deus); ou enquanto se reunia com a multidão que afluia para o Seu “Darshan” (Presença), todas as vezes que Ele se fazia acessível publicamente; ou enquanto trazia novos entendimentos para cada aspecto da busca espiritual, através de suas mensagens, palestras e livros; ou enquanto dava conselhos específicos e individuais para inúmeros seguidores, de todas as partes do mundo; durante todos esses 44 anos, Meher Baba manteve silêncio.
Ao invés da fala, Ele usava outros meios para transmitir as mensagens que queria mas, acima de tudo, se comunicava de maneira muito mais Interessante através da linguagem do amor.

“Não apenas nesta encarnação, mas todas as vezes quando venho, enfatizo que o amor é o remédio.”

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Meher Baba declarou explicitamente ser Ele o Mais Antigo, a encarnação divina ou “Deus-Homem”, cujo advento tem sido antecipado em muitas religiões atuais e tradições espirituais. Na Índia, é comumente conhecido como ”Avatar”, uma palavra Sânscrita que literalmente significa “ Ascendente de Deus”. Embora as doutrinas de algumas religiões sustentem que tais manifestações de Deus somente ocorreram um vez na história, através de só um ou outro Deus-Homem em particular, os ensinamentos místicos por trás de todas as principais religiões do mundo indicam que a aparição do Avatar está longe de ser um único evento. Como expressão natural de Compaixão Infinita e como parte integral do Plano Divino, tais encarnações são as revelações periódicas do Amor e da Verdade de Deus, a mesma e única Realidade, na terra. De acordo com Meher Baba, estas aparições Avatáricas ocorrem, sem falta, aproximadamente a cada 700 a 1.400 anos, dependendo das circunstâncias do mundo e das necessidades espirituais de determinada época.

“Eu fui o Rama, fui o Krishna, fui esse e fui aquele. Agora, sou o Meher Baba, aquele mesmo Mais Antigo, em carne e osso, aquele mesmo que é eternamente adorado e negligenciado, sempre lembrado e esquecido.”
“Eu sou o Eterno Mais Antigo, cujo passado é idolatrado e lembrado; cujo presente é ignorado e esquecido; e cujo futuro (Advento) é sempre antecipado com grande fervor e desejo.”

Nesta luz, todas as grandes personalidades divinas, Jesus, Buda, Krishna, Maomé e Zaratustra,

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entre os mais conhecidos, são considerados igualmente como Avatares, cada um tendo sido a Manifestação primária de Deus na terra para Sua respectiva era, vivendo uma vida perfeita de Amor e Serviço para demonstrar novamente a possibilidade de tal realização. Por mais que as religiões, fundadas a partir dessas aparições avatáricas de Deus, possam diferir de como estão hoje, Meher Baba sustenta que, em cada Encarnação Divina, o Deus-Homem sempre ensinou a mesma Verdade essencial.

“Deus vem, de novo e de novo, em várias formas, dizendo com palavras diferentes, em línguas diferentes, a mesma Verdade…A vida exterior e os hábitos de um Avatar refletem, em certo grau, os hábitos e costumes das pessoas daquela época e nos Seus ensinamentos Ele enfatiza os aspectos que precisam ser melhorados. Em essência, cada Avatar encorpora os mesmos ideais de vida.”

A mensagem de Meher Baba e seu apelo se estende às pessoas de todas as culturas. Seus seguidores incluem Protestantes, Católicos e Judeus no mundo ocidental; Hindus, Muçulmanos, Zoroastrianos e Budistas no mundo oriental; e mesmo muitos que se consideram agnósticos ou ateus. Resumindo, o Baba e o que Ele ensina são universais. Embora Ele possa certamente ser compreendido dentro do contexto de cada grande tradição religiosa, não obstante deixa claro que não pertence exclusivamente a nenhuma delas:

“Todas as religiōes são iguais para mim e todas as castas e credos me são caros. Porém, embora Eu aprecie todos os “ismos”, as religiōes e os partidos políticos,

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pelas muitas coisas boas que procuram alcançar, não pertenço, e não posso pertencer a nenhum destes “ismos”, religiões e partidos políticos, porque a Verdade Absoluta, enquanto igualmente os inclue, transcende todos eles e não deixa espaço para as divisōes separativas, as quais são todas igualmente falsas.”

“Eu não vim para estabelecer nenhum culto, sociedade ou organização; nem mesmo para estabelecer uma nova religião. A religião que oferecerei ensinará o conhecimento do Um por trás dos muitos. O livro que farei com que as pessoas leiam será o livro do coração, que contém a chave do mistério da vida. Trarei uma feliz fusão da cabeça com o coração. Revitalizarei todas as religiões e cultos, colocando-os juntos como contas em um só colar.”

“Eu sou igualmente acessível a todos, grandes e pequenos, aos santos que sobem e aos pecadores que caem, através de todos os vários Caminhos que oferecem o Chamado Divino. Sou acessível, da mesma meneira, aos santos os quais adoro e aos pecadores, os quais sou a favor, e igualmente através do Sufismo, do Vedantismo, do Cristianismo ou do Zoroastrismo e do Budismo e todos os outros “ismos” de qualquer espécie, mas também diretamente, sem qualquer “ismos”.

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Meher Baba veio de uma família de Zoroastrianos; previamente, Seus pais haviam emigrado da Pérsia para a Índia. Nasceu na cidade de Poona (mais tarde chamada de “Pune”), um lindo Centro de cultura e educação na Índia Central, localizada umas cem milhas ao leste de Bombay (mais tarde chamada de “Mumbai”). Sua mãe teve dois sonhos incomuns na época de seu nascimento, em um deles, milhares de pessoas de todas as raças passavam por ela, esperando o nascimento de sua criança com grande antecipação e anseio; e, no outro sonho, havia um grande número de mulheres, usando saris (roupa indiana), todas em volta de seu bebê recém-nascido, o idolatrando. No dia de Seu nascimento, em 25 de Fevereiro de 1894, a Ele foi dado o nome de Merwan Sheriar Irani, o sobrenome indicando que sua família era “do Iran”.
Os primeiros anos de Merwan, na maioria dos aspectos, não foram incomuns, porém, todos notavam que algo intangível o marcava como uma pessoa sem igual. Interessado em poesia e literatura, de Shakespear ao Mestre Perfeito Persa chamado Hafiz, e também adepto aos esportes, Merwan brilhava como um menino de caráter incomum e raros atrativos. Tendo estudado em um colégio Católico Romano, o jovem Merwan, então, entrou na Faculdade Deccan, a mais respeitada na Índia ocidental. Foi durante Seu segundo ano da Faculdade que, aos 19 anos de idade, Merwan teve uma experiência que lhe revelou Sua Divindade e inaugurou Sua missão espiritual no mundo como Avatar desta Era.
A revelação da Divindade de Merwan foi através de um beijo na Sua testa por uma anciã, chamada Hazrat Babajan, que vivia em Poona e era bastante reverenciada como sendo completamente iluminada. Esta Sadguru ( mestra Perfeita) de cabelos brancos, que diziam ter mais de 120 anos naquela época, era, ela própria, um santuário vivo na cidade. Originalmente de Baluchistan, Babajan tinha vindo à Poona há mais de vinte anos atrás, finalmente se acomodando embaixo de uma árvore do nim, na beira da estrada.
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Lá ela viveu, dia e noite, em todo e qualquer clima, recebendo milhares e mais milhares de peregrinos, aspirantes espirituais e pessoas comuns, assim como aquelas que vinham de todas as partes da Índia, para sentarem junto dela e receber sua benção.
Uma noite, quando Merwan estava voltando para casa da Faculdade, em sua bicicleta, Babajan o chamou para perto de si, com um gesto. Ele desmontou da bicicleta, foi até lá, sentando-se junto a ela, em silêncio. No final do encontro, a Mestra Perfeita anciã beijou Merwan na testa, então Merwan levantou-se e foi para casa imediatamente. Muitos anos depois, Meher Baba descreveu aquele dia, da seguinte maneira: “Com apenas um beijo na testa, entre as sobrancelhas, Babajan me fez sentir emoções de êxtase indescritíveis, as quais continuaram por nove meses. Assim, em uma noite, ela me fez realizar, num instante, o êxtase infinito da realização de Deus.

“Eu sou aquele que é o Mais Antigo. Quando digo que sou Deus, não é por ter pensado sobre isso e concluído que sou Deus. Eu sei que é verdade. Muitos consideram uma blasfêmia para alguém dizer que é Deus, mas, na verdade, seria uma blasfêmia Eu dizer que não sou Deus.”

Em várias ocasiões, quando Merwan visitava Babajan nos meses que se seguiram, ela apontava para Ele e dizia: “Esta minha criança, um dia, abalará o mundo.”

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Todas as vezes que Deus vem como o Avatar, oculta sua Infinita Consciência em uma “descida” proposital numa forma humana escolhida e preparada para realizar o Seu trabalho. Os cinco Mestres Perfeitos de cada época são responsáveis por efetuar a “descida” de Deus, (isto é, a Realidade) na Ilusão, através desta forma humana; eles também são responsáveis por “tirar o véu” Dele, véu esse que oculta Sua Infinita Consciência, na hora certa quando começa Seu ministério na terra.
Após um período de quase sete anos, depois do importante beijo de Babajan, Merwan foi levado a fazer contacto com os outros quatro Mestres Perfeitos na Índia, que, como Babajan, eram reconhecidos como perfeitos espiritualmente.
Dois dos mais conhecidos desses Mestres Perfeitos foram o venerável velho Sai Baba de Shirdi, reverenciado como um santo muçulmano; e Upasni Maharaj, um Hindu por nascimento. Em diferentes ocasiões, naqueles primeiros anos, ambos estes sadgurus dessa Era reconheceram publicamente Merwan como o Avatar e mandaram seus próprios discípulos seguí-Lo.

“O que sou, o que fui e o que serei, sendo aquele Mais Antigo, é sempre por causa dos cinco Mestres Perfeitos de tal época. Durante os períodos avatáricos, os cinco fazem Deus encarnar como homem. Sai Baba, Upasni Maharaj, Hazrat Babajan,Tajuddin Baba e Narayan Maharaj são os cinco Mestres Perfeitos desta Era para Mim. Destes cinco, Upasni Maharaj and Babajan atuaram diretamente nos papéis principais. Babajan, em menos de um milionésimo de segundo, me fez realizar meu Estado Antigo, que sou Deus, e no período de sete anos,

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Upasni me deu o conhecimento de que sou o Avatar, o Mais Antigo.Isto quer dizer que ele estabeleceu aquele estado em mim.”
“Sai Baba me fez afirmar o que Eu sou. Babajan me fez sentir quem sou. Upasni Maharaj me fez saber o que sou.
Babajan Me deu Êxtase Divino. Sai Baba Me deu Poder Divino. Upasni Maharaj Me deu Conhecimento Divino.
Eu tenho Poder, Conhecimento e Êxtase Divinos.
Eu sou o Mais Antigo.
Vim redimir o mundo moderno.”

Durante os sete anos seguintes, após o beijo de Babajan, Merwan ficou sendo conhecido como um Sadguru, isto é, Deus-realizado. Várias pessoas que se tornaram conhecidas de Merwan, naquela época, dentre elas Hindus, Muçulmanos e Zoroastrianos, igualmente, que procuravam Deus, assim como também as pessoas aparentemente sem nenhuma inclinação para a espiritualidade, começaram a sentirem-se atraídos a Ele e O consideravam seu Mestre. Foram esses primeiros seguidores e discípulos quem, pela primeira vez, se referiram a Merwan como “Meher Baba”, porque para eles o Seu nome de nascimento não mais lhes parecia adequado para Aquele que emergiu como o sol que derreteu seus corações e o mais amoroso e compassivo Senhor.
Em 1922, junto com um grande grupo de seguidores dedicados, Meher Baba deixou Poona para ir a Bombay. Lá, Ele estabeleceu um ashram especial e singular, o qual foi chamado de Manzil-e-meem, que significa a “Casa do Mestre”, onde esses primeiros discípulos foram iniciados, em um período de disciplina severa e treinamento rigoroso.

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O próprio Baba ficava absorto, dia e noite, nesta sua própria atividade espiritual intensa e sofreu terrivelmente durante aquele tempo, enquanto começava a desenvolver o “Círculo” de discípulos que serviriam no Seu Trabalho mais importante pela humanidade e por toda a própria Criação.

“Tenho que sofrer pelo universo inteiro. A menos que Eu sofra pelo universo, como posso pedir para todos sofrerem pelos outros?”
“Eu estou em tudo e em todos e o Meu trabalho é para o despertar espiritual de toda a humanidade.”

Em um ano, Baba mudou Seu Ashram da cidade de Bombay para os arredores de um vilarejo desolado, perto de Ahmednagar, cerca de 120 milhas do coração do platô Deccan. Neste lugar, Ele criou “Meherabad”, o local que serviria como sede de Seu trabalho no próximo quarto de século. Com o desenvolvimento deste novo centro de atividades, Baba impôs um ritmo ainda mais vigoroso para aqueles que O seguiam.
Periodicamente, Ele fazia viagens a pé e de trem, cobrindo enormes distâncias, por todos os arredores do Estado de Maharastra, por toda a Índia Ocidental, até a cidade de Karachi e a cidade de Quetta (a qual mais tarde se tornaria parte do Paquistão), e por fim, até a Pérsia.
Nestas viagens, Baba sempre viajava incógnito, e nas várias cidades e localidades, mandava seus homens reunir os pobres ou os leprosos de lá, ou às vezes até ambos, a quem Ele dava banho, vestia e alimentava com Suas próprias mãos.
Geralmente, Ele distribuía tecidos ou grãos ou, em algumas ocasiões, uma soma de dinheiro, para cada uma das pessoas necessitadas, reunidas nestas épocas, sendo a única circunstância em que Meher Baba manuseava dinheiro.

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Não fazia diferença se os discípulos se ocupavam com o duro trabalho manual nos seus serviços ou se eles acompanhavam o Mestre em suas viagens, eles notaram que Baba exigia deles, cada vez mais, em resistência e em prontidão em servir. Muitas vezes, depois de um dia exaustivo, que começava ao amanhecer e terminava depois da meia-noite, Ele acordava seus homens depois de apenas duas horas de sono para indicar que era hora de seguir para o próximo lugar de destino. Longas jornadas a pé, pouco descanso, refeições insuficientes e irregulares; durante certos períodos, isto era a ordem do dia para os mais próximos de Baba.
Porém, em comparação, ninguém se esforçou tanto e sofreu tanto como o próprio Baba.
Era Ele quem impunha o ritmo, quem não somente dirigia, mas também quem liderava Seus discípulos no trabalho, frequentemente enquanto fazia jejum por muitas semanas seguidas, e com frequência sofrendo doenças estranhas, as quais, Ele indicava, eram somente o resultado de Seu trabalho espiritual interior com os membros de Seu Círculo. O espectro variado de atividades que Baba determinava parecia sempre designado a dar frutos em várias direções ao mesmo tempo; não Somente trazia ajuda, alívio e um toque de amor às muitas milhares de indivíduos, mas Ele também iniciava Seus “Mandali” (assim era como Baba se referia a Seus discípulos residentes, mais íntimos) à uma vida de serviço altruísta, cada vez mais profunda.
Conforme conviviam com Ele e observavam o desenvolvimento do Seu trabalho, os discípulos de Meher Baba por fim adotaram a reveladora representação para a Sua vida, um tipo de lema que captaria a essência da vida do Deus-Homem na terra: “ Mestria em servitude”.

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É natural que uma das perguntas mais comuns feitas a Meher Baba tenha sido o porquê de Ele manter silêncio. Logo que começou a manter Seu Silêncio, na noite de 10 de Julho de 1925, Ele declarou que era por causa do pesado trabalho espiritual que estava a sua frente, indicando um aumento geral do caos e dos conflitos no mundo. Através dos anos que se seguiram, Baba deu um grande número de mais indícios e explicações sobre o significado de Seu Silêncio. Várias vezes, Ele declarou enigmaticamente que, quando quebrasse Seu Silêncio, assim faria pronunciando “uma única palavra”.

“Eu vim para plantar a semente do amor em seus corações, para que o sentimento de Unidade, através do amor, seja levado em meio a todas as Nações, credos, sectos e castas do mundo, apesar de terem de experienciar e suportar toda diversidade superficial nas suas vidas na Ilusão.
Para que isto aconteça, estou me preparando para quebrar Meu silêncio. Quando quebrá-lo, não será para encher seus ouvidos com palestras espirituais. Devo dizer somente uma única palavra, e esta penetrará os corações de todos os homens e fará até mesmo o pecador sentir que ele está destinado a ser um santo, enquanto o santo saberá que Deus está no pecador tanto quanto nele mesmo.”

Meher Baba indicou que o “dizer a Palavra” na realidade será uma liberação de uma imensa energia espiritual e de um amor irresistível, e que todas as pessoas e criaturas se beneficiarão disso: “…Por causa que todas as formas e palavras vem deste Som Primordial ou Palavra Original, estão continuamente conectadas com ela e derivam suas vidas a partir dela, quando for

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pronunciada por Mim, irá repercurtir em todas as pessoas e criaturas, e todos saberão que quebrei Meu silêncio e emiti aquele Som ou Palavra.”

“A força eficaz desta Palavra nos indivíduos e suas reações a Ela será de acordo com a magnitude e receptividade de cada mente individual.”

“Quebrar Meu silêncio criará um abalo espiritual, e todos sentirão isso em seus corações.”

Meher Baba afirmou repetidas vezes que Ele somente falaria, quando o ato de quebrar o Seu silêncio tivesse o seu impacto mais universal.
Seu trabalho, disse Ele, “pode ser comparado a acumular e arranjar um montão universal de lixo acumulado da ignorância do homem na Ilusão, que o enreda no falso e o previne de ficar ciente de sua verdadeira identidade.”
Ele sempre enfatizou, de novo e de novo, que a questão de quando liberaria a Palavra iria depender inteiramente do tempo propício, de acordo com Sua perspectiva, na qual Ele esperaria a hora mais oportuna para quebrar Seu silêncio, de maneira a conseguir o efeito desejado.
Baba indicou que tal tempo coincidiria com o ponto no qual guerra e destruição estiverem no auge, em todo o mundo, e a humanidade no seu maior desespero em sua necessidade da liberação desta “maré da Verdade”.
Meher Baba também continuamente apontava para tempos estranhos e difíceis que precederiam a experiência da quebra de Seu silêncio pela humanidade.
Ele se referia a um período de “humilhação” que precederia Sua “Manifestação”, no qual a fé e o amor de seus seguidores seriam testados com severidade e

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quando até Suas palavras se voltariam contra Ele. Sempre estressava que Sua Manifestação como Avatar desta Era seria ligada à quebra de Seu silêncio, e que, desta vez, não iria acontecer até que o caos, a confusão e o conflito no mundo chegassem ao máximo.

“Quando digo que Minha Manifestação está conectada com a quebra do Meu Silêncio, as pessoas não devem esperar um derramamento de verbosidade.
Pronunciarei a “Palavra das palavras” que transmitirá irresistivelmente o estado de “Sou-Deus”…A palavra que falarei chegará para o mundo como vinda de Deus, não de um filósofo; irá direto para o coração.”

Num certo ponto, Baba até indicou que a preparação para a quebra de Seu silêncio podia levá-Lo a deixar o Seu corpo físico.

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Apesar de Seu Silêncio, Meher Baba se comunicava bastante e claramente. Seus meios de comunicação variaram através dos anos, mas na maior parte do tempo girava em torno do uso de uma tábua com o alfabeto, e de gestos.
A maioria das mensagens e palestras do Baba, sobre todos os assuntos, desde amor por Deus até os vários estados de consciência e os estágios do caminho espiritual foram ditados primeiro através do uso da tábua com o alfabeto, letra por letra. Em 1954, entretanto, Baba desistiu de usar essa tábua e, desde então contou com uma linguagem de gestos singulares e pessoais, para todas as comunicações verbais.
Embora Meher Baba tenha viajado muito durante Sua vida e tenha visitado o Ocidente em um total de treze vezes, em diferentes ocasiões, só após dizer explicitamente sobre o problema da busca da expansão da consciência através das drogas, que Ele começou a ficar muito mais conhecido no mundo Ocidental em geral.
Logo após o primeiro desabrochar do movimento psicodélico, no meio dos anos 60, um certo número de Americanos pediram informações ao Baba sobre a validade da experiência das drogas, desde a marijuana até todas as variedades das chamadas substâncias de “expandir consciência”. Sua declaração como resposta foi direta e tranquilizante:

“Se Deus pode ser encontrado através do meio de qualquer droga, então Deus não é digno de ser Deus…
Nenhuma droga, seja qual for sua grande promessa, pode ajudar alguém a alcançar a meta espiritual.
Não existe nenhum atalho para essa meta, exceto através da graça de um Mestre Perfeito, e as drogas, LSD mais do que as outras, somente dão uma aparência de “experiência espiritual”, um vislumbe de uma falsa realidade.

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A experiência está tão longe da realidade quanto uma miragem está da água. Não importa o quanto a pessoa vá atrás da miragem, nunca alcançará a água e a procura por Deus através das drogas deve acabar em desilusão.”

Quanto às religiões organizadas, com seus rituais e cerimônias, desgastadas pelo tempo, Baba as compara à palha em volta do grão, a casca que cobre a semente da verdadeira espiritualidade.
“Quando a mente se expressa em padrões de ritos formais e cerimônias rígidas, não é mais do que um eco vazio do hábito de incontáveis gerações, executadas automaticamente sem o ‘coração’.”
Na realidade, de acordo com o Baba, Deus responde apenas ao amor.
“Ele não ouve a linguagem da mente e suas rotineiras meditações, concentrações e pensamentos sobre Deus. Ele ouve apenas a linguagem do coração e sua mensagem de amor, que não necessita de nenhuma cerimônia ou espetáculo.”

“O amor é essencialmente auto-comunicativo: aqueles que não tem amor ’pegam’ daqueles que tem. Nenhuma quantia de ritos, rituais, cerimônias, adoração, meditação, penitência e lembrança pode produzir amor por si próprios. Pelo contrário, aqueles que suspiram alto e choram e se lamentam ainda não experienciaram amor. Este ateia fogo em quem o encontra. Ao mesmo tempo, sela seus lábios para que a fumaça não escape.”

Em conformidade, Meher Baba não ofereceu nenhum ritual ou cerimônia, nem certas dietas ou exercícios, nenhuma forma física de meditação ou práticas espirituais aos Seus seguidores.

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Não há nenhuma “igreja”, nenhum designado professor ou qualquer hierarquia. Não há nenhuma taxa. A verdadeira espiritualidade, aos olhos do Baba, não é um caso de pertencer a alguma organização, mas ao invés, é um assunto do coração, uma questão de grau do quanto se vive uma vida honesta e amorosa. Para o Baba, o ateu confesso que faz fielmente o seu trabalho no mundo é bem mais abençoado do que o homem que proclama ser religioso, mas foge das suas responsabilidades práticas do dia-a-dia.
“O pior pecado”, Ele disse, “é a hipocrisia!”

“A religião, como o culto, deve ser do coração.”

“A verdadeira religião consiste em desenvolver a atitude mental que deve, no final, resultar em se enxergar Uma Infinita Existência, prevalescendo no Universo;
Quando alguém puder viver no mundo e, no entanto, não ser do mundo, e ao mesmo tempo, estar em harmonia com tudo e com todos;
Quando alguém puder ver a mesma divindade na arte e na ciência e experienciar a mais alta consciência e êxtase indivisível em todos os dias da vida;
“Siga qualquer religião que gostar, mas siga o núcleo mais íntimo da mesma.”
“Minha religião pessoal é ser o Mais Antigo, o Um Infinito e a religião que eu passo a todos é o amor por Deus.”
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Do final dos anos 20 até o fim de Sua vida na terra, Meher Baba ia de uma fase especial de atividades à outra. A maior parte dos anos 30 consistiu de um período de viagens pelo mundo. Durante aqueles anos, Baba viajou com frequência para a Inglaterra, a Europa e a América, estabelecendo contatos com Seu primeiro grupo íntimo de discípulos Ocidentais, enquanto trabalhava de maneira geral para fazer as pessoas acordarem, em todo o globo, para a busca da experiência das suas próprias Realidades Infinitas.

“O mundo necessita acordar e não mais com instruções verbais.”
“Minha única felicidade depende de fazer as pessoas entenderem, não através da mente, mas sim através da experiência, que só Deus é o Amado por Quem existimos.”

Mais para o final dos anos 30 e por praticamente toda a década seguinte, Baba manteve Sua atenção quase que exclusivamente em Seu Trabalho com os “masts”, almas espiritualmente avançadas que estão tão intoxicadas com suas experiências interiores de Deus que parecem ser loucas. Apesar de suas aparências externas e comportamentos, frequentemente incomuns, entretanto Baba descreveu tais indivíduos como os verdadeiros amantes de Deus, e Ele trabalhou árduamente com certos discípulos Seus para entrar em contacto com centenas deles, a maioria por toda a Índia e regiões circundantes, simultaneamente dando a cada um deles um empurrão espiritual, enquanto coordenava e usava as energias deles para Seu próprio Trabalho com a humanidade, “como tantas estações de transmissão de energia para uma casa de força central.”
Em seguida, começando em 16 de Outubro de 1949, ocorreu o mais enigmático de todos os muitos aspectos do trabalho de Meher Baba, que foram os três anos de Sua “Nova Vida”.
Nesta mudança radical, não somente na Sua vida anterior, mas também na rotina normal do

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Mestre espiritual, Baba e mais vinte discípulos-companheiros, cuidadosamente escolhidos a dedo, foram viver uma vida de completa “desesperança, desamparo e sem propósito”. Tendo desistido de todas as propriedades e tudo, exceto algumas roupas e alguns objetos pessoais, todos, incluindo Baba, viajaram por toda a Índia, totalmente incógnitos, sem dinheiro, mendigando comida, executando as instruções do Baba, com frequência em face de tremendo esforço e fatiga, e vivendo em rigorosa conformidade com as “condições da Nova Vida”, as quais Baba havia imposto.
No final deste período, Baba declarou que tinha conseguido cumprir o trabalho da Nova Vida para a Sua máxima satisfação, e através dela, Seus discípulos foram introduzidos a uma maneira de vida mais árdua mas, ao mesmo tempo, mais livre do que eles poderiam ter imaginado.

“ Esta Nova Vida não tem fim, e mesmo depois da minha morte física, será mantida viva por aqueles que viverem uma vida de completa renúncia da falsidade, das mentiras, do ódio, da raiva, da ganância e da luxúria; e quem, para cumprir tudo isso, não fizer nenhuma ação de luxúria, não prejudicar ninguém, não falar mal pelas costas, não procurar pelo poder ou pelas posses materiais, quem não aceitar homenagens, nem cobiçar honrarias, nem evitar desgraças, e não temer nada, nem ninguém; por aqueles que confiam apenas e inteiramente em Deus, e quem amar a Deus com pureza, só pelo fato de amar; aqueles que acreditam nos amantes de Deus e na Realidade da Manifestação e, no entanto, não esperam qualquer recompensa espiritual ou material; aqueles que não abandonam a verdade, e que sem se abalarem pelas calamidades, encaram totalmente e com bravura todas as dificuldades,

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com cem por cento de alegria, e não dêem nenhuma importância às castas, aos credos,e às cerimônias religiosas. Esta Nova Vida viverá por si só eternamente, mesmo que não exista ninguém para vivê-la.”

Baba terminou a fase “ de andar sem rumo” da Nova Vida em 1952, quando voltou, mais uma vez, a residir em “Meherazad”, um lugar isolado, cerca de 9 milhas nas redondezas da cidade de Ahmednagar. Situado adjacente ao notável “ Morro do Retiro” ( Seclusion Hill) onde Baba periodicamente trabalhava certos aspectos do que Ele se referia a “Trabalho de Retiro”, trabalho realizado durante um período de rigoroso isolamento do mundo externo.
Meherazad havia sido estabelecido por Baba e por aguns homens e mulheres que eram Seus discípulos residentes, anteriormente à Nova Vida, e agora servia como Sua residência até os restantes anos de Sua vida na terra.
De acordo com as Suas instruções de longa data, Meherabad, um pequeno assentamento à 15 milhas de distância, que no passado havia sido Sua sede central, por fim se tornaria o local do “Samadhi” do Meher Baba, isto é, seu “Túmulo-Santuário” ou o último lugar de descanso.
Assim que Seu último Trabalho de Retiro chegou ao fim, Baba começou mais uma vez um período de viagens extensivo, tanto pelo mundo assim como dentro da Índia.
Em Abril de 1952, houve a primeira de mais três viagens ao Ocidente e, no mês seguinte, enquanto viajava pelos Estados Unidos com um grupo de Seus discípulos, Baba foi gravemente ferido em um acidente automobilístico. A batida ocorreu perto da cidade de Praga, no estado de Oklahoma, perto do centro do país e, sombriamente, cumpriu-se a declaração enigmática feita por Baba anteriormente sobre um “desastre pessoal” que cairia sobre Ele. Mais tarde, Ele adicionou que havia sido ordenado por Deus que Ele deveria “derramar Seu sangue” na América.

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Um segundo acidente de carro, tão sério quanto o primeiro, ocorreu na Índia, cerca de 4 anos e meio depois, em Dezembro de 1956, enquanto Baba ia de Poona à Satara, no local exato onde Ele havia levado previamente Seus homens mandali para um dia de jogo de cricket (Baba havia jogado alternadamente nos dois lados, levando o jogo a um empate equilibrado). No acidente que ocorreu na América, além de vários outros ferimentos, a perna esquerda de Baba havia quebrado; no acidente subsequente, na Índia, Seu quadril direito foi despedaçado. No entanto, os efeitos esmagadores desses acidentes e o sofrimento que Baba suportou em silêncio total, por causa de tudo isso, parece que somente fez intensificar o poder do Seu amor e enfatizar Sua autoridade divina. Apenas dois meses após o segundo acidente automobilístico, Meher Baba ditou as seguintes palavras para os Seus discípulos mais chegados que estavam com Ele naquela época: “Baba teve Seus ossos do corpo físico quebrados para que sejam quebradas a ‘espinha dorsal’ do aspecto material da era da máquina (Kali Yuga), enquanto deixa intacto o aspecto espiritual.”

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Em Fevereiro de 1954, antes de Seu segundo acidente automobilístico, em um vilarejo extremamente afastado, perto de Hamirpur, no interior da Índia, Meher Baba havia finalmente confirmado o segredo de Sua divindade, e por todo o período em que ocorreram os acidentes, dezenas de milhares de pessoas foram atraídas por Ele como um ímã.
Por fim, a multidão de Seus “amantes” (termo carinhoso que Baba chamava Seus seguidores), ficaram sabendo o que Seus discípulos mais chegados já haviam entendido o tempo todo: Que o Senhor de seus corações era, na verdade, o Senhor do Universo e não um santo ou mahatma, nem um pir ou yogi, nem um “amigo de Deus” ou nem mesmo um Sadguru ou Qutub, mas verdadeiramente “o próprio Deus em forma humana.”
Um grito de “Avatar Meher Baba Ki Jai” (Ave o Homem-Deus Meher Baba!) se espalhou rapidamente por todas as partes da Índia por onde Ele viajou, e mais de cem mil pessoas vinham vê-Lo por apenas um dia nas ocasiões quando Ele dava “darshan” (isto é, a oportunidade de estar em Sua Presença.)

“ O verdadeiro Messias consegue despertar os ideais mais altos nos homens e tocar os corações de milhões.”

“ Quero que vocês façam de Mim o seu companheiro constante. Pensem em Mim mais do que pensam em si mesmos. Seu dever é Me manter constantemente com vocês, em seus pensamentos, nas suas conversas e nas suas ações.”

“Gravem essas palavras em seus corações: Nada é real, exceto Deus. Nada tem importância, exceto o amor por Deus.”

“Somente aqueles que vivem a vida de amor, honestidade e auto-sacrifício podem Me conhecer como ’O Mais Antigo’,

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“O seu amor próprio me esconde, o seu amor por Mim me descobre.”

“Se tiverem aquele tipo de amor que São Francisco sentia por Jesus, então não somente irão me conhecer, mas também irão me agradar.”

“Se entreguem ao Deus-Homem, a quem Deus revela a Si próprio em sua máxima glória.”

No Ocidente, também era uma época especial, pois em antecipação às suas viagens à America e à Australia, durante os anos 50, os seguidores do Meher Baba estabeleceram centros nestes dois países, um em Myrtle Beach, no estado da Carolina do Sul, e perto de Woombye em Queensland, que eram lugares onde o Baba declarou que, um dia, se tornariam locais de peregrinação no mundo todo, como em Meherabad na Índia, onde estaria o Seu Samadhi (Túmulo-Santuário).
Além disso, em 1955, o livro “Deus fala” (“God Speaks”) foi publicado, abrangente livro do Baba sobre os estados de Deus, os planos de consciência e os estágios do caminho espiritual; Baba deu também várias mensagens durante essa época, como as entituladas “O Maior dos maiores”, “o chamado de Meher Baba” e “ A Declaração final”, as quais contem declarações definitivas em relação ao Estado do Avatar e o curso dos futuros eventos para a humanidade em geral.

“Consciente ou inconscientemente, direta ou indiretamente, cada uma e todas as criaturas, cada um e todos os seres humanos, esforçam-se por afirmar a personalidade. Quando , por fim, a criatura experiencia conscientemente que é Infinita, Eterna e Indivisível, ela se torna completamente consciente de sua individualidade como Deus e é reconhecida como Mestre Perfeito, Sadguru ou Qutub.

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Quando Deus se manifesta na terra na forma de homem e revela Sua divindade para a humanidade, Ele é reconhecido como o Avatar; “assim Deus se torna homem…”
“O Avatar é sempre Um e o mesmo, porque Deus é sempre Um e o mesmo, o Eterno, o Indivisível, o Infinito, quem se manifesta na forma de homem como o Avatar, como o Messias, como o Profeta, como o Mais Antigo, o Maior dos maiores. Este Eternamente Um e mesmo Avatar repete Sua manifestação de tempos em tempos, em ciclos diferentes, adotando formas diferentes, em lugares diferentes, para revelar a Verdade, usando trajes diferentes e falando línguas diferentes, para elevar a humanidade do poço da ignorância e libertá-la da prisão de ilusões.
Dentre as manifestações de Deus mais reconhecidas e idolatradas como Avatar, Zaratustra é a mais antiga, tendo sido Avatar antes de Rama, Krishna, Buda, Jesus e Maomé. Milhares de anos atrás, Ele deu ao mundo a essência da Verdade, na forma de três preceitos fundamentais, que são Bons pensamentos, Boas Palavras e Boas ações.

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Estes preceitos eram e ainda são constantemente revelados à humanidade em uma forma ou outra, direta ou indiretamente em cada ciclo, pelo Avatar de determinada Era, enquanto lidera a humanidade para a Verdade.
Não é fácil colocar estes preceitos de Bons Pensamentos, Boas Palavras e Boas Ações em prática, embora não seja impossível. Mas, vivê-los honesta e literalmente parece ser impossível como tentar praticar “uma morte em meio à vida.”

“De tempos em tempos, quando o pavio da virtude produz pouca luz,
O Avatar vem ainda mais uma vez reavivar a tocha do Amor e da Verdade. De tempos em tempos, em meio ao clamor dos tumultos, das guerras, dos medos e do caos, soa o chamado do Avatar: “Venham todos até mim.”

“Embora, por causa do véu de ilusão, este chamado do Mais Antigo possa parecer como uma voz no deserto, seu eco, no entanto, está presente através do tempo e do espaço para acordar de seus sonos profundos da ignorância a alguns poucos, no começo e por fim milhões. E no meio da Ilusão, como a Voz por trás de todas as vozes, ela desperta as criaturas para testemunhar a manifestação de Deus em meio à humanidade.

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“Chegou a hora. Eu repito o chamado e convido a todos a virem até Mim.”

Com Sua “Declaração final”, uma mensagem que faz referências específicas à deixar Seu corpo, Meher Baba provocou um furor de profunda preocupação entre Seus seguidores. Em resposta à inundação de numerosas cartas e telegramas pedindo informações sobre o sentido de suas declarações a respeito de Sua morte física, Baba mandou uma circular para o conforto moral:

“Não há motivo algum para ninguém se preocupar. Baba foi, é e sempre será eternamente existente. O corte de relações externas não significa o término da conexão interna…É possível estabelecer a ligação interna, obedecendo as ordens do Baba. Dou-lhes todas as minhas bençãos para reforçar estas ligações internas.”
Aos Seus mais próximos, Baba reiterou que, em todo Advento, o Avatar continua acessível como se presente fisicamente, por um mínimo de 100 anos (ou um pouco mais) após a Sua morte física.

“Independente de dúvidas e convicções e pelo Infinito Amor que Eu suporto por um e por todos, continuo a vir como o Avatar, para ser julgado, uma vez mais, pela humanidade, em sua ignorância, e para ajudar o homem a distinguir o Verdadeiro do falso.”

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Os últimos vários anos da vida de Meher Baba representam ainda outra fase de Seu Advento. Fora alguns poucos encontros com o povo e umas poucas reuniões individuais com os recém-chegados, Baba passou esses últimos anos junto com Seus mais íntimos discípulos residentes, em reclusão relativa. Em contraste com os primeiros anos, Ele quase não viajou. Ao invés disso, passava horas todo dia completamente imperturbável, intensamente absorvido no que Ele chamava de Seu “Trabalho Universal”. Dia após dia, por um período de anos, Baba continuou este trabalho interno espiritual com regularidade metódica, oferecendo poucas explicações dos Seus propósitos, exceto para enfatizar que era de importância primordial para toda a humanidade.

“ Vocês só conseguem enxergar o que Me vêem fazendo por fora, mas Eu estou continuamente trabalhando em todos os planos de consciência ao mesmo tempo.
Conforme se aproxima a hora de Minha manifestação, a pressão do Meu trabalho é tremenda…Ninguém consegue ter a menor idéia da intensidade do Trabalho que estou fazendo em reclusão. A única dica que posso dar é que, comparado com o Trabalho que faço em reclusão, todos os trabalhos mais importantes do mundo colocados juntos são completamente insignificantes. Embora, para mim, o peso do Meu Trabalho seja esmagador, o resultado do Meu Trabalho será intensamente sentido por todas as pessoas no mundo todo.”

Coforme Seu Trabalho de Reclusão progredia, a saúde do Baba piorava. No final do ano de 1968, Seus discípulos mais próximos ficaram cada vez mais preocupados e imploravam para o Baba não negligenciar tanto Sua saúde, diminuindo o Trabalho.
“Isto significaria, mais uma vez, prolongar a data de Minha Reclusão”, Ele respondia.

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“Se agora Eu permitisse que isto acontecesse, adiaria indefinidamente o resultado e o colocaria em um curso diferente do desejado!”

“A Verdade de Deus não pode ser ignorada; assim, pela ignorância e fraqueza da humanidade, uma reação adversa tremenda é produzida e o mundo se encontra em um caldeirão de sofrimento através de guerras, de ódio, de ideologias conflitantes e de rebeliões da natureza na forma de enchentes, fome coletiva, terremotos e outros desastres. No fim, quando o ápice é alcançado, Deus se manifesta novamente em forma humana para guiar a raça humana na destruição do mal criado por ela mesma, para que possa ser reestabelecida na Verdade Divina.”
“O Meu Silêncio e sua quebra iminente é para salvar a raça humana das forças monumentais da ignorância e para cumprir o Plano Divino da Unidade Universal.
A quebra do Meu Silêncio revelará ao homem a Unidade Universal de Deus, a qual trará a freternidade universal do homem, Meu Silêncio tinha que ser. A quebra do Meu Silêncio terá que acontecer, logo!”

Baba continuou, sem diminuir, o Seu Trabalho e somente Seus Mandali mais próximos testemunharam o sofrimento inconcebível que acompanhava Seu Trabalho. Finalmente, para o grande alívio de Seus discípulos, Baba anunciou que havia sido completado com 100% de satisfação e que os resultados daquele trabalho começariam a se manifestar.
Porém, por essa época, o estado de Sua saúde ficou extremamente grave; Baba declarou, de maneira prática, que o tremendo peso do trabalho de Sua última

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grande reclusão tinha, na verdade, acabado com Sua saúde.
Conforme Seus discípulos insistiam para que se submetesse a outros exames médicos, Ele se recusava com as seguintes palavras: “Minha condição não tem nenhum fundamento médico; é puramente devido à tensão do Meu Trabalho.”
Nas semanas seguintes, Baba deu muitas dicas veladas de que logo iria deixar Seu corpo. Embora, anteriormente, o trabalho do Baba tenha, muitas vezes, afetado seriamente Sua saúde, nesta ocasião Ele declarou mais de uma vez: “Minha hora chegou.”
Enquanto Seus discípulos residentes ficavam cada vez mais perturbados e deprimidos pela deteriorização de Sua condição física, Baba constantemente os relembrava pra continuarem alegres e não se preocuparem.
Em 31 de Janeiro de 1969, logo após o meio-dia, depois de ter feito graça sobre a quantidade de remédios que havia sido dada a Ele por causa de Sua doença misteriosa, Meher Baba faleceu.

“Eu nunca nasço. Eu nunca morro. A cada momento, tenho um nascimento e passo pela morte…Embora Eu esteja presente em todo lugar eternamente, no Meu estado infinito e sem forma, de tempos em tempos tomo uma forma e esse ’tomar forma e sair dela’ é chamado de Meu nascimento físico e morte física.”

“Neste sentido, Eu nasço e morro quando meu Trabalho Universal está terminado.”

“Não viva na ignorância. Não perca seu precioso tempo de vida diferenciando e julgando o próximo. Aprenda a ansiar pelo amor a Deus. Mesmo em meio às suas atividades terrenas, viva apenas para encontrar e dar-se conta da sua verdadeira identidade com Seu Amado Deus.”

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“Seja puro e simples, e ame a todos pois todos são um só. Viva uma vida sincera; seja natural e honesto consigo mesmo.”

“A honestidade lhe guardará contra a falsa modéstia e lhe dará a força da verdadeira humildade. Não poupe nenhuma dor para ajudar aos outros. Não procure outro prêmio que não seja presente do Divino Amor. Anseie por este presente sincera e intensamente e prometo, em nome de Minha Divina Honestidade que lhe darei muito mais do que possa desejar.”

“ Dou toda a Minha benção para que a fagulha do Meu Divino Amor possa implantar em seus corações o profundo desejo pelo amor a Deus.”

“A quebra de Meu Silêncio, que é o sinal da Minha Manifestação pública, não vai demorar. Eu trago o maior tesouro que é possível para o homem receber; um tesouro que inclui todos os outros tesouros, que vai durar para sempre, que cresce quando compartilhado com os outros. Estejam prontos para recebê-lo.”

“Quando a Palavra do Meu Amor quebrar seu silêncio e falar em seus corações, lhes dizendo quem Eu realmente sou, saberão que aquela é a Verdadeira Palavra que sempre ansiaram por ouvir.”

“Eu sou o Divino Amado que lhes ama muito mais do que possam,um dia, vir a amar a si mesmos.”

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O falecimento de Meher Baba trouxe ainda mais um capítulo em Seu Advento. Com a morte física do Deus-Homem, não é mais possível ter conexões externas com Ele, não pelos próximos 700 anos, até o Avatar voltar novamente, como afirmava Baba com frequência. As conexões externas, no entanto, não eram o motivo do trabalho do Deus-Homem; eram apenas os meios através dos quais Ele colocava Seu trabalho em movimento. Ele vem à terra como um homem perfeito para atualizar o exemplo dos mais altos ideais da vida humana e para reacordar a humanidade à possibilidade de estabelecer conexões internas com Deus, o Amado Divino, em cada coração.
Através do Deus-Homem, Deus vem para amar e servir, e sofrer, pois em Sua ilimitada universalidade, somente o Avatar pode dar à Criação o empurrão interno necessário para concretizar o seu curso.
Em Seu tempo de vida na terra, Ele plantou sementes de amor altruísta, em lugares onde elas devem inevitavelmente brotar e florescer, e deixa atrás de Si Sua mensagem e Seu exemplo; nesta Era, uma abundância de informações, sem precedentes, sobre a Sua vida sobressai como profundo e convincente testemunho da Sua Realidade. Ainda mais importante, Ele deixa atrás de Si a promessa de Sua eterna Presença interna e a possibilidade de atrair ainda mais para perto Dele e, no final, chegar a conhecê-Lo ao se recordar Dele com amor e ao seguir as orientações que Ele deixou para todos aqueles que buscam Deus e para os amantes de Deus em qualquer lugar.

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Posfácio: O que vem depois?

Se acontecer de, após ler esta pequena introdução ao Meher Baba, achar que gostariam de conhecer mais sobre Ele, é para esse motivo que existe a Parte Dois deste livro; dará uma amostra de alguns discursos e mensagens-chaves que os ajudarão a começar a se familiarizar com Ele. Porém, como foi dito na introdução deste pequeno volume, é na verdade simplesmente um “convite” para encontrarem o Avatar desta Era, para realmente conhecê-Lo e seguí-Lo.
Para verdadeiramente “conhecerem” Meher Baba, será preciso tentar encontrá-Lo, não apenas coletar informação sobre Ele, mas encontrá-Lo como Ele realmente é. Até certo ponto, podem começar, lendo mais sobre Ele; muito mais tem sido escrito sobre o Meher Baba, além dos livros que Ele mesmo escreveu; e também vendo Sua imagem em uma variedade de fotografias,videos e filmes que capturaram um precioso vislumbre dele durante este advento. O Avatar tem sido , mais que tudo, compassivo, nesta Era, deixando uma documentação, sem precedentes, de Sua vida e Seu trabalho, em uma lista crescente de centenas de livros, milhares de fotografias e inumeráveis videos e Dvds, que O mostram em ação. E já neste primeiro estágio de Seu Advento, incontáveis álbuns de música, de cassetes e de cds tem sido produzidos com músicas e canções celebrando a volta do “Mais Antigo”.
Todo esse material está facilmente disponível através de recursos online e livrarias, assim como também através de vários grupos e centros que são dedicados ao Avatar Meher Baba, pelo mundo afora. Alguns desses recursos estão em uma lista no final deste livro; muito mais pode ser encontrados através dessa lista de contatos e pesquisando “Meher Baba” via internet.

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Vários de Seus livros podem ser encontrados online através do website Avatar Meher Baba Trust, e uma biografia do Meher Baba de 20 volumes e de mais de 6.000 páginas pode ser lida no website, dedicado ao “Lord Meher”.
Muitos grupos e centros, em todo o mundo, mantem regularmente reuniões programadas, assim como apresentam vários eventos que podem incluir conversações, filmes e música. Talvez possam querer participar de tais reuniões, ou possam preferir atravessar seus caminhos até
Meher Baba sozinhos. Não há nenhum requerimento, além de coração aberto, e não há nenhuma taxa, além do preço de perder seu “eu” limitado. Embora alguns grupos tenham associações, e algumas organizações sem fins lucrativos e conselhos administrativos tenham, por necessidade, oficiais e diretores, não há nenhuma burocracia com respeito a se aproximar, conhecer ou seguir Meher Baba. Sendo o Amado Eterno, Ele é diretamente acessível a todos aqueles que buscam a Deus através do coração, o qual Ele descreveu como sendo Seu templo verdadeiro; e, durante as centenas de anos que se seguem após deixar Seu corpo físico, declarou que permanecerá “como se estivesse presente fisicamente”, um segredo aberto relacionado ao Advento do Avatar que torna possível desenvolver um relacionamento íntimo e pessoal com o Deus-Homem interiormente sem qualquer intercessão ou intermediário.
No final, por causa que o amor motiva uma familiaridade cada vez mais profunda com o Amado, se houver maior interesse em Meher Baba, provavelmente irão querer visitar alguns dos lugares associados com Sua vida e Seu trabalho. Ele estabeleceu três principais lugares de peregrinação durante Seu tempo de vida; o mais importante de todos é aquele em Meherabad, perto de Ahmednagar na Índia, onde está localizado Seu Samadhi, ou “Túmulo-Santuário”. Preparativos para ir lá visitar podem ser feitos através do website “Avatar Meher Baba Trust” que está incluido na lista no final deste livro.

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Do mesmo modo, foram desenvolvidos centros em Meher Spiritual Center (em Myrtle Beach, na Carolina do Sul, E.U.A.) e no Avatar’s Abode (perto de Brisbane, na Austrália) com provisões para visitas de várias durações; detalhes sobre esses lugares e informações para planejar uma visita aos mesmos podem ser encontrados nos websites associados com estes centros.

Em última análise, “O que vem depois?” é uma pergunta que somente os seus corações podem responder. Com esta introdução, vocês receberam seus “convites”. Agora, só resta decidirem a se dedicar a estudar o Deus-Homem, na oportunidade de conhecê-Lo e, por fim, encontrá-Lo como Ele realmente é, não em livros, ou nas igrejas, ou nos templos, mas, sim, dentro de vocês, como o Senhor do amor, o Amado Divino, que é adorado pelos amantes de Deus em qualquer forma e que está eternamente vivo em todos os corações.

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